Florianópolis registra o primeiro caso do estado Estado de leishmaniose visceral humana

Doença infecciosa grave é transmitida pelo mosquito-palha após a picada em animal hospedeiro, como cães

Florianópolis registra o primeiro caso do Estado de leishmaniose visceral em humanos.

O paciente, um homem de 59 anos, é morador do Saco dos Limões, em Florianópolis, e está internado desde o dia 9 de agosto, no Hospital Universitário. Seu estado, segundo a secretaria de Saúde da Capital, é considerado estável.

A doença, que já tinha casos registrados em cães, hospedeiros do parasita, é grave e pode levar à morte.

O professor e pesquisador Mário Steindel, que atua no Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) acompanha o caso e reforça a gravidade da doença: “Essa doença é grave, se não tratada tem risco enorme de óbito. Ele vai ter que ficar internado por algum tempo.”

 

Aumento do número de casos em cães acende alerta para leishmaniose em Florianópolis

doença, também conhecida como calazar, é transmitida pelo mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis) que, ao picar, introduz na circulação do hospedeiro o protozoário leishmania. O cachorro não transmite a doença para outros cães nem para humanos, mas uma vez contaminado se torna portador – caso seja picado, infecta o mosquito-palha com a doença, tornando o inseto  transmissor. Por ser um animal doméstico, estando intimamente próximo ao ser humano, o cão doente funciona como reservatório da doença. Por isso, os casos nos animais costumam preceder os casos em humanos, funcionando como um evento sentinela.

O parasita se instala na medula óssea do infectado, o que diminui a produção de plaquetas,. Ele também se desenvolve no fígado e baço e na fase mais avançada vai para linfonodos e intestino, por exemplo. Esse tipo de parasita também pode causar a leishmaniose cutânea, que se caracteriza por feridas na pele, porém com menor possibilidade de levar à morte.

O pesquisador lembra que a leishmaniose visceral canina foi registrada, pela primeira vez, em 2010 no Estado, com casos principalmente na Lagoa da Conceição, mas que agora a doença está espalhada pela cidade. Atualmente todos os Estados do Sul já registraram casos em humanos. Recentemente, em Porto Alegre (RS), três pessoas morreram em decorrência da doença. Quando detectada cedo, porém, a doença tem alto índice de cura em humanos.  Segundo o levantamento da Secretaria de Saúde de Florianópolis, a leishmaniose visceral canina está distribuída em 34 bairros da Capital.

A orientação do Ministério da Saúde é que os animais sejam sacrificados, pois eles funcionam como fonte de infecção.

O professor da UFSC lembra, no entanto, que o Ministério da Agricultura aprovou um tratamento para os animais, mas que só melhora os sintomas, porém, não cura. Por isso, segundo o especialista, não é uma solução.

“As pessoas que têm animais doentes acabam não entregando [o cão para sacrifício], então a doença vai se espalhando e sai do controle. A possibilidade de ter caso humano era só uma questão realmente de tempo. É provável que tenha outras pessoas infectadas e que não foram diagnosticadas ainda. E não é uma questão só desse bairro, está espalhada pela Ilha” — destaca Steindel.

Uma das principais formas de prevenção à doença em cães é a utilização de coleiras com ação repelente. Mas Steindel lembra que têm um custo e precisam ser trocadas depois de algum tempo de uso. Por isso é necessário adotar outras atitudes, como limpeza de áreas ao redor do quintal, pois o mosquito-palha gosta de lugares úmidos, escuros e com acúmulo de matéria orgânica. Além disso, o Ministério da Saúde reforça que é necessário eliminar cães com diagnóstico positivo para leishmaniose visceral, para evitar o aparecimento de casos humanos.

Ações em Florianópolis

Segundo a Secretaria de Saúde de Florianópolis, nas próximas semanas, serão feitas ações de sensibilização junto aos médicos veterinários para que notifiquem os casos suspeitos e confirmados da doença em animais.

O trabalho também será realizado junto aos médicos da rede de saúde, que receberão o alerta epidemiológico para ficarem atento aos sintomas em humanos. Pessoas oriundas de regiões de transmissão que apresentam a sintomatologia da doença devem ser submetidas a exame laboratorial e, se confirmado o diagnóstico, o tratamento é iniciado. O tratamento é gratuito e deve ser feito em ambiente hospitalar.

Casos em pessoas no Estado foram “importados”

Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), somente no município de Florianópolis há registro de transmissão ativa (autóctone) de leishmaniose visceral canina. No último levantamento realizado, foram detectados 292 casos da doença em cães, a maioria na Lagoa da Conceição, no Canto da Lagoa e na Costa da Lagoa; mas bairros como Rio Tavares, Pantanal, Córrego Grande e Itacorubi também estão na lista. Nos demais municípios, SC totalizou 17 casos suspeitos em cães 2016. Seis deles receberam diagnóstico positivo, todos casos com transmissão fora do Estado (importados). Desses, três foram sacrificados.

Já em relação à doença em humanos, é o primeiro caso de transmissão dentro do Estado. Em 2016, houve registro de dois casos importados de leishmaniose visceral humana, de pessoas que contraíram a doença em outros estados – uma em Minas Gerais e outra no Maranhão. Em 2015, não houve registro de casos importados da doença. No Brasil, a maioria dos casos registrados de leishmaniose visceral humana está concentrada na região Nordeste.

Sintomas em animais

  • emagrecimento;
  • enfraquecimento dos pelos;
  • apatia;
  • descamação ao redor dos olhos, focinho e ponta das orelhas;
  • crescimento exagerado das unhas;
  • conjuntivite ou outros distúrbios oculares;
  • aumento de volume na região abdominal;
  • diarreia, hemorragia intestinal e inanição.

Sintomas em humanos

  • febre intermitente com semanas de duração;
  • fraqueza;
  • perda de apetite;
  • emagrecimento;
  • anemia;
  • palidez;
  • aumento do baço e do fígado;
  • comprometimento da medula óssea;
  • problemas respiratórios;
  • diarreia;
  • sangramentos na boca e nos intestinos.

Prevenção

Locais com fezes de animais, cascas ou restos de vegetais e folhas podem ser favoráveis para a ocorrência do inseto transmissor da doença. Isto porque o mosquito-palha, transmissor da leishmaniose, se reproduz em locais sombreados e com acúmulo de matéria orgânica em decomposição.

A melhor forma de prevenção é a limpeza dos terrenos e casas, realizar a poda periódica das árvores, além de evitar a criação de porcos e galinhas em área urbana. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Florianópolis oferece serviço de coleta e realização de exame laboratorial para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina.

Outra recomendação importante é o uso de roupas adequadas, como boné, camisa de manga comprida, calças e botas, quando permanecer em área de mata ou no entorno, especialmente a partir das 17h, horário de maior atividade do mosquito-palha. Indica-se, também, a utilização de coleiras repelentes de insetos nos cães.

Fonte: Secretaria de Saúde de Florianópolis

Karine Wenzel: karine.wenzel@diariocatarinense.com.br

A M.V. Camila Coelho e Silva da Cão.Com alerta que é importante atualizar o protocolo de vacina para cães.

A vacina contra a Leishmaniose é feita em etapas. Primeiro o cão deve fazer uma coleta de sangue para sorologia, pois só podem ser vacinados cães negativos para a doença. A partir do exame negativo, é dado início ao esquema de vacinação, sendo 3 doses no protocolo inicial e depois 1 reforço anual. O intervalo entre as doses do primeiro protocolo é de 21 dias.

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